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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Professores que cometem abuso são uma realidade

Desde muito novos somos apresentados à ideia de que o professor é o responsável por nos transmitir conhecimento e de que passaremos grande parte da nossa vida sob suas tutelas. A convivência deve ser respeitosa e amigável e, não raro, são as professoras e professores os primeiros adultos, à parte dos familiares, a quem admiramos intensamente.

Na verdade, construímos com eles o mesmo tipo de relação que temos com as demais pessoas que amamos e com quem convivemos por muito tempo – às vezes conturbada, às vezes tranquila, às vezes com uma proximidade e carinho evidentes, próprios dos grandes amigos.

Quando passamos a ter professores diferentes para matérias específicas, a sensação de tutela se dissipa e não existe a mesma cumplicidade, a não ser com aqueles com quem temos mais afinidades, seja pela matéria que lecionam, seja pela personalidade que nos cativa. Ainda assim, não deixamos de confiar nesses profissionais e até mesmo de recorrer a eles quando precisamos de ajuda – inclusive no âmbito pessoal.

Concordo que para algumas pessoas essa descrição que acabo de fazer vai soar romantizada. Mas a questão da confiança, em maior ou menor grau, é importante para o relacionamento que compreende o aluno, o professor e a instituição em que ambos se encontram, ou seja, a escola. Quando essa confiança é quebrada, desmantela-se também a sensação de segurança que nos deve ser garantida pela escola.

Assim, é assustador pensar que, dentro da instituição à qual confiamos o bem-estar da criança, encontra-se um indivíduo capaz de tirar proveito da situação para abusar de seus próprios alunos.

Recentemente, foi publicada a notícia de um professor acusado de abusar sexualmente de garotas de 9 e 10 anos de idade, alunas do 5º ano do fundamental, em escola municipal da cidade de Cajati, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo.

O docente teria agido levando as meninas durante os intervalos a uma sala de aula vazia, onde pedia beijos na boca e tocava os genitais das vítimas. Acredita-se que ele tenha feito isso com pelo menos três alunas, mas os detalhes do caso ainda não podem ser revelados por este estar em processo.

No Facebook, a página “Meu Professor Abusador” publica, anonimamente, relatos de pessoas que foram vítimas de seus próprios professores, tanto na escola como em cursinhos e universidades. No ar desde 9 de fevereiro deste ano, a página tem quase 600 relatos publicados e já tem sido alvo de ameaças judiciais.

Ali, os casos são apresentados anonimamente, sem que a vítima seja exposta – e também sem que o suspeito tenha seu nome revelado, apesar de às vezes ser possível, para as pessoas próximas à vítima e ao acusado, reconhecer de quem se trata.

A existência dessa página é importante para mostrar como a figura do professor abusador é real e pode se tratar de alguém que age da mesma forma há muito tempo sem ser denunciado. Ao coletar os relatos e publicá-los, dá-se às vítimas oportunidade de perceberem que não estão sozinhas e podem ser fonte de motivação para que denunciem seus agressores.

A maior parte dos casos acontece com garotas assediadas por professores, no entanto, cabe ressaltar que professoras também podem cometer abuso sexual e que garotos também podem ser vítimas. Infelizmente, no caso de meninos abordados por professores ou professoras, é ainda mais difícil haver denúncia formal, por vergonha das vítimas ou por acreditarem que um homem “não pode sofrer abuso”.

Por fim, em tempos de redes sociais, cabe algumas dicas sobre como agir no caso de assédio (não apenas de professor, mas de qualquer um que venha a abordar):

  •  Não publique imediatamente um texto com foto no Facebook denunciando a pessoa. Se isso for feito antes que seja registrado um boletim de ocorrência ou mesmo enquanto o caso estiver em julgamento, você pode sofrer acusação por parte do suspeito, por danos morais, calúnia ou difamação.
  • Se você for menor de idade, converse com seus pais antes de procurar a direção da escola ou cursinho, para que vocês possam decidir juntos o que fazer.
  • Converse com um advogado para que ele possa lhe orientar a respeito de como proceder.
  • Se a pessoa que abusou de você fizer comentários nos seus perfis em redes sociais, ou enviar mensagens pessoais a você, dê “print” em tudo e salve no seu computador – de preferência, faça ainda um back up e guarde em local seguro – e não apague as postagens. Esses registros podem servir de prova em um processo.

Ainda sobre essa questão de ocorridos pela internet, o vídeo da advogada Gisele Truzzi é bem esclarecedor:


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Sobre Laércios e novinhas

No Big Brother Brasil, a repercussão do atrito entre os participantes Ana Paula e Laércio trouxe à tona um tema que precisa ser discutido com seriedade: o sexo entre pessoas mais velhas e adolescentes.

Primeiramente, gostaria de alertar para o fato de que não estou tratando, aqui, de pedofilia, tema do qual tratarei em outro texto. Resumidamente, o indivíduo pedófilo é aquele que sente atração sexual por crianças pré-púberes. No entanto, ter a criança como objeto de desejo não significa, necessariamente, agir para satisfazer esse desejo e cometer abuso. Muitos pedófilos não são criminosos e passam sua vida reprimindo e controlando essa atração repulsiva – na verdade, uma minoria dos pedófilos (no sentido de pessoas que realmente apresentam um transtorno) comete crimes.

Sendo assim, o tal Laércio não é um pedófilo. Ele pode apresentar problemas sérios de conduta, mas não é um pedófilo. Ele é, inclusive, suspeito de ter cometido um crime ao abusar sexualmente de uma menor de idade e os rumores sobre sua conduta são anteriores ao episódio do conflito com Ana Paula.
Além do mais, em sua página no Facebook, ele admite gostar de adolescentes e de fazer sexo com garotas bêbadas:




Quando assume que gosta de uma “novinha”, o indivíduo parece não ver algo de errado nessa preferência. E isso acontece porque no Brasil existe uma cultura de hipersexualização da “novinha” que vem se perpetuando inclusive por meio de letras de músicas populares, por exemplo, “Me Lambe”, dos Raimundos, “Novinha do Orkut”, de Claudinho e Buchecha, “Fica Caladinha”, do Bonde do Tigrão, entre muitas outras.

Justamente na música, a hipersexualização fica ainda mais evidente quando observamos letras cantadas por garotos como MC Pedrinho, que mal entrou na adolescência, mas ganha dinheiro com títulos como “Na Putaria”, “Geometria da Putaria”, “Planeta da Putaria”...

Em pesquisa, realizada pela página pornô PornHub, revelou-se que “novinha” é o termo mais buscado no Brasil. Esse resultado é uma indicação do imaginário brasileiro – e de muitos outros países, em que a palavra mais procurada era “teen”, ou seja, “adolescente”.


A atração pela ninfeta pode ser explicada pelo fato de se tratar de garotas ainda imaturas que podem facilmente se deixar convencer por homens mais velhos. Vale lembrar que o conceito de “ninfeta” passa, necessariamente, pela ideia de adolescente ou menina que incita o desejo sexual.

É impossível refletir sobre essa questão sem levar em conta a oposição à educação sexual nas escolas por parte de muitos pais e adultos formadores de opinião. Ao mesmo tempo em que se procura ignorar a sexualidade infantil, luta-se para “proteger” as crianças de uma realidade com a qual elas se deparam muito cedo.

A garota que o pai deseja proteger por meio da proibição de aulas sobre sexo e sexualidade no âmbito educacional é a mesma que, na rua, é assediada constantemente e tratada como um objeto de desejo (no pior sentido da palavra) independentemente de sua idade.

Vale lembrar as palavras de Carol Patronício em seu texto escrito na ocasião do Master Chef Junior, quando homens fizeram comentários a respeito de uma criança de 12 anos que participou do programa:

Enquanto meninas são encaminhadas a uma maturidade precoce, os meninos e homens são perdoados por todos seus erros porque são apenas garotos, independente da sua idade — vamos deixar claro também que isso acontece com mais força quando relacionado a homens brancos e de certa posição socioeconômica, aos homens e meninos negros ou pobres sobra apenas a desconfiança e teorias que apontam seus erros como biológicos.

Some a toda essa cultura a ideia de que todas as mulheres são vagabundas. Todas aquelas que não estão dentro do padrão esperado por aquele homem, já que não existe um consenso sobre como deveria ser o comportamento feminino de uma não-vadia. Quando a mulher é bonita, então, o problema é ainda maior: ela é tida como burra, é objetificada, estereotipada e tem tomada de si a possibilidade de dizer não a qualquer investida. O preço disso é ser tachada de metida. E não importa o que uma mulher faça: basta despertar o desejo em um homem e você se torna vagabunda.

O desejo é responsabilidade de quem o sente e não de quem o desperta. Quando um adulto sente desejo por uma criança é ele o culpado por ir contra uma norma social que protege a infância, a integridade e o corpo de uma incapaz (de acordo com a lei). Porém é muito simples inverter esse raciocínio ao dizer que a menina já tem em si a sexualidade de uma mulher, que ela usa roupas provocativas e que pede atenção masculina. Com essa ideia o homem torna-se a vítima de uma “destruidora de lares” que ainda brinca de boneca, apesar de ter sim sexualidade, ainda que muito diferente da de uma mulher adulta.

Enquanto garotos são, desde muito novos, estimulados a vocalizar e a agir em favor de seus “instintos”, inclusive sexuais, garotas são ensinadas a manter o recato. Logo, quando a menina se mostra mais expansiva, é considerada culpada de “aguçar” o desejo masculino – na visão da sociedade, aparentemente, não interessa se essa menina tem apenas 16 anos e seu comportamento é típico de uma adolescente. Raramente a responsabilidade do homem adulto, o qual deveria zelar pela integridade da adolescente e não a abordar com intenções sexuais, é colocada em pauta e questionada. 

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Leitura recomendada:

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Absurdo na net

Pessoal, depois de algo que vi hoje, não consegui prosseguir nos estudos e preciso compartilhar com vocês para que ajudem a denunciar o site www.silviokoerich.com! Se vivemos num mundo que não trás segurança e nos obriga a ter esperanças reduzidas quanto ao futuro de uma humanidade que possa viver em paz é por causa da difusão de pensamentos como o desse indivíduo, Silvio Koerich, que incitam o ódio e a intolerância e mantém a ilusão mais ridícula do mundo: da supremacia branca! Pois é, isto ainda existe, até na cabeça de brasileiros, certamente descendentes de uma mistura indetectável, de tão grande, de raças e de etnias! Como se não bastasse, o sujeito defende a violência contra a mulher e algo que chama de "penetração corretiva" (sim, no mais baixo calão do que o termo possa sugerir). Em suma, este homem é o maior símbolo de retrocesso que já presenciei nos últimos anos de internet!

Por favor, peço, de coração, que o denunciem:
http://www.safernet.org.br/site/denunciar
http://denuncia.pf.gov.br/